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2 de janeiro de 2018
O que esperar do Ano Novo além de fogos de artifício?

As superstições e as metas de final de ano são frequentes, porém costumam ser fonte de decepções. Exemplos de decepções vão desde vestir uma cor para atrair algum fim desejado a fazer promessas e planejamentos extremistas e em muitos casos, irreais. As metas e as superstições de fim de ano causam decepções por inúmeras razões, duas delas são a falta de planejamento e não haver correspondência entre o que foi almejado e o que foi conquistado (ou não conquistado), como no caso em que a pessoa passa o Réveillon de amarelo na expectativa de ser o ganhador da “Mega da Virada”, não é sensato atribuir o resultado lotérico a cor da vestimenta de alguém, uma vez que outras pessoas também usaram e não obtem o mesmo resultado. Além disso, não há comprovação alguma que relacione amarelo a prosperidade financeira.
Mas afinal, por que essas metas feitas na virada de um ano para outro, não se concretizam? Uma das razões se deve ao baixo compromisso com a realidade que geralmente essas metas possuem. Trata-se de fins que as pessoas almejam, porém poucos refletem e elaboram a respeito. Falta a esses objetivos planejamentos que incluem três perguntas: O que eu quero? Quanto eu quero? Como posso conseguir?
Ainda que se tenha uma meta de final de ano realista, que a pessoa queira muito conseguir (promoção no trabalho, perda de peso, um relacionamento..) não é feito um passo-a-passo, uma elaboração de estratégias para que o fim seja alcançado ( promoção no trabalho: profissionalizar-se, destacar-se no trabalho, expressar esse interesse. Perda de peso: buscar apoio profissional, atividade física. Um relacionamento: sair e interagir com novas pessoas..) .
As metas de fim de ano costumam não perdurarem ou não se concretizarem, pois falta muitas vezes em quem as faz, autoconhecimento. Isto é, a pessoa não analisa seus valores, a motivação ou intenção que atribui ao objetivo que estipulou para o ano que se inicia (e me parece que é nesse aspecto que a frustração se alastra).
Claro que fazer uma análise funcional dos próprios desejos é dispendioso e em muitos casos doloroso até.. Vamos imaginar.. O quanto eu realmente quero essa mudança que almejo? Em que ponto me darei por satisfeitx ? Sendo mais pontual: “Por que quero aquela promoção? Porque realmente acredito que eu estaria melhor aproveitado naquela função ou porque almejo aprovação social? “. “Quero perder “x” quilos, pois estou focada no meu bem-estar, na minha saúde ou porque me contaram que bonito é pesar 55kg mesmo não condizendo com minha estrutura física e bem estar ? ”
Analisar a função das próprias metas é uma forma de não levar a vida no automático, de não viver em constante “Carpe Diem” sem projetos ou aspirações. Mas, de sinalizar que não devemos comprar sonhos prontos, mas orientá-los de acordo com nossos valores, sermos flexíveis o suficiente para adaptarmos projetos a vida que realmente ambicionamos ter, construir sonhos e objetivos de vida, deve ser algo muito pessoal e legítimo.
E, caso a tarefa de se conhecer e descobrir de fato, o que te é importante, não parecer fácil e/ou prazerosa, não há problema em procurar ajuda. Então, desejo que em 2018, você tenha projetos próprios, que eles se alinhem com a sua vida e com os seus valores. E que, se julgar necessário encontre um bom psicólogo que auxilie no processo de autodescoberta. E então, quais são os seus projetos para o ano que se inicia?

Olívia Rodrigues da Cunha

Psicóloga – CRP 09/10114
Psicóloga formada pela PUC-GOIÁS (2015) , com ênfase em Psicologia Clínica. Especialista em Saúde Mental (UNYLEYA, 2016) e Doutoranda em Psicologia com ênfase em Psicopatologia Clínica e Psicologia da Saúde (PUC-GOIÁS). Tem experiência na área de Psicologia, com ênfase em Intervenção Terapêutica, atuando principalmente nos seguintes temas: análise comportamental clínica, pesquisa em psicoterapia, terapia de casal, Transtorno de Personalidade Borderline e manejo de quadros de ansiedade.

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